Entrevistas

 Carlos Gonçalves é o Director-Geral dos Avila Business Centers e responsável pela introdução no mercado de uma solução inovadora: o myOffice. Os Avila Business Centers são centros de negócios estruturados à medida de pequenas e grandes empresas, profissionais liberais e outras actividades que não precisam de escritórios permanentes para funcionar.

 Ficam situados em zonas nobres da cidade de Lisboa, e além do arrendamento de escritórios físicos, aluguer de salas para reuniões de trabalho ou para formações, permitem também soluções de escritório virtual e domiciliações.

Consumer Behavior Portugal (CBP) – Antes de mais, muito obrigado por conceder esta entrevista ao site Consumer Behavior Portugal. Começava por lhe perguntar o que é exactamente um “escritório virtual”, pois penso que poucos estarão familiarizados com o termo…

 Carlos Gonçalves (CG) – De nada Francisco, é com todo o gosto participo nesta iniciativa. O Escritório Virtual é um conceito recente no nosso país, mas representa o futuro dos espaços de trabalho. É um serviço utilizado por profissionais ou empresas que não necessitam de um espaço físico permanente para trabalhar, podendo usufruir de salas de reunião, atendimento telefónico personalizado, morada de prestígio, recepção de correspondência, entre outras facilidades. As grandes vantagens são a redução de custos, o reforço da imagem e o set-up rápido da empresa a partir de 55 Eur por mês mais IVA. Há muitos empreendedores que estão a utilizar este modelo em Portugal, mas o escritório virtual não é um exclusivo das start-ups: a Google entrou no Brasil através de um escritório virtual e a Starbucks adoptou a mesma estratégia em Portugal.

CBP – O que é a aplicação myOffice, e como se integra no conceito de escritório virtual?

 CG – O myOffice é uma aplicação pioneira a nível mundial criada pelo Avila Business Centers que permite estar em contacto online e em tempo real com os nossos clientes. Sempre que é recepcionada uma chamada telefónica ou uma correspondência, o secretariado notifica automaticamente o cliente através do myOffice, que está também integrado com email e SMS. Há a possibilidade de reencaminhamento de chamada para o cliente e de este usufruir do voicemail-to-email fora do horário de expediente e ao fim-de-semana (envio de ficheiro de som com mensagem de voicemail para o email do cliente). O myOffice está integrado nos pacotes de escritório virtual, sem custo associado, e funciona no PC e em diversos dispositivos móveis – iPhone, iPad, Android e em breve noutros sistemas operativos e smartphones como Nokia e Blackberry-. O download da demo na App Store da Apple e no Android Market é gratuito.

CBP – Penso que os portugueses têm ainda um lado muito tradicionalista… Até que ponto um cliente sente “confiança” numa empresa que opera através de um escritório virtual? Em que medida os clientes dos vossos clientes sentem essa virtualização?

 CG – É verdade que somos um país um pouco conservador, mas as novas gerações já perceberam que terão de utilizar soluções inovadoras e racionais para fazer crescer as suas empresas. Estudos internacionais indicam que soluções como o Escritório Virtual e o Coworking permitem poupanças entre 70% a 90% dos custos. O preconceito do escritório virtual tende a desaparecer, porque as empresas que adoptam este modelo são vistas como modernas e inteligentes. Para quê suportar uma renda mensal de 500 Euro ou 600 Euro se posso pagar uma mensalidade de 85 Eur, com secretariado e utilização de escritório mediante as minhas necessidades, pagando apenas o que utilizo?

 O cliente do nosso cliente não sente a virtualização porque existe uma personalização do serviço e uma filosofia de grande proximidade e confidencialidade. A chamada telefónica é reencaminhada para o exterior como se o cliente estivesse a trabalhar no escritório ao lado. Quando um visitante procura o nosso cliente, são apontados os dados de contacto e o recado para serem notificados via myOffice. Desta forma o nosso cliente está em contacto com o escritório, onde quer que esteja.

CBP – Vivemos tempos complicados em Portugal, com a precariedade dos recibos verdes ou o desemprego de longa duração, que impele as pessoas a criarem os seus próprios negócios, ainda que pequenos. Neste contexto, parece-me que a vossa solução pode ocupar um papel importante…

 CG – Sem dúvida.  O Escritório Virtual é uma solução low-cost ideal para quem está no início de actividade e necessita de desenvolver o negócio com custos controlados. Muitos dos nossos clientes trabalham a partir de casa e deslocam-se pontualmente ao Avila para reuniões com clientes ou sessões de trabalho. Para além destas pessoas, que conseguem separar a vida pessoal da profissional, há inúmeras empresas que estão sediadas fora de Lisboa e para as quais esta solução é a ideal do ponto de vista do reforço da imagem e credibilidade junto de potenciais clientes e parceiros de negócio. Ter uma morada de prestígio em Lisboa ajuda a quebrar muitas barreiras, pelo menos nos primeiros contactos, e é uma excelente estratégia na fase de prospecção do negócio.

CBP – Penso que os Estados Unidos e Grã-Bretanha – corrija-me se estiver errado – estão na liderança deste modelo de negócio. O que está na calha para o futuro, nesta área? Que novidades podemos esperar?

 CG – É verdade, estes são os mercados mais desenvolvidos neste sector. Mas temos o orgulho em afirmar que o Avila Business Centers oferece a solução de escritório virtual mais completa a nível mundial, pois o myOffice é a única plataforma de interacção online entre o Centro de Negócios e o cliente, tanto em PC como em dispositivos móveis. Sendo uma empresa portuguesa, julgo que este facto tem uma importância acrescida e realçamos ainda que contámos com duas empresas portuguesas no desenvolvimento das Apps para iPhone/iPad e Android: a Swipe Twice e a Waterdog mobile.  Temos sido contactados por diversos Centros, nomeadamente da América e Ásia que pretendem utilizar a nossa plataforma e está em estudo a criação de uma Rede Internacional baseada no myOffice. As vantagens irão centrar-se no booking online de salas de reunião, escritórios virtuais, para além da referenciação de clientes entre os Centros de Negócio.

CBP – Por vezes tenho a sensação que o mundo está cada vez mais a caminhar para a virtualização, embora a vida real esteja alicerçada numa estrutura offline. Isto é algo que nos deva preocupar?

 CG – Julgo que não. Talvez a designação “Escritório Virtual” não seja a mais indicada para este tipo de serviço. Na realidade nada é virtual e tudo existe: o secretariado, o atendimento telefónico, as salas de reunião, os espaços de trabalho…. a diferença é que as pessoas não necessitam de estar lá a tempo inteiro! Um excelente exemplo da complementaridade necessária do offline e do online são os Workshops bimestrais que organizamos gratuitamente para os nossos clientes no auditório da TB Store e que são também uma oportunidade de networking offline. Quem não pode estar presente, pode assistir via live stream na nossa página do Facebook.

CBP – Relativamente à última questão, confesso que gostaria de a repetir em entrevistas futuras aqui no CBP. É a seguinte: como acha que será o consumidor de amanhã? Qual a sua opinião, o que vai mudar?

 CG – Uma vez que o “emprego para toda a vida” já pertence ao passado, julgo que as novas gerações serão mais empreendedoras, apostando nas redes sociais para promover os seus negócios e projectos.

Na minha opinião, o consumidor de amanhã será uma pessoa mais informada, utilizando ferramentas eficientes para gerir a sua vida profissional, por forma a estar mais tempo com a família e apostar numa melhor qualidade de vida. Será o “back to basics”…

 Muito obrigado.

Carlos Gonçalves é Director-Geral dos Avila Business Centers

http://www.avilabusinesscenter.com

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Pedro Rocha – OAK

 Pedro Rocha é o fundador e Director-Geral da OAK, empresa de consultoria de marketing, que opera nas áreas de análise de tendências do consumidor, estratégia de marketing e branding e lecciona, no IPAM do Porto, a disciplina de “labotarório de tendências e inovação” na licenciatura de Ciências do Consumo.  A OAK é representante em Portugal da trendwatching.com, uma das maiores empresas ligadas ao trending mundial. Nesse contexto, entre outras colaborações, escreve regularmente para a revista Marketeer, de forma a mostrar o trabalho que a Trendwatching realiza à escala global.

 

Consumer Behavior Portugal (CBP) – A Trendwatching é um dos colossos mundiais da análise de tendências. Como surgiu a sua ligação à Trendwatching e como se enquadra nos serviços prestados pela OAK?

Pedro Rocha (PR) – Comecei a colaborar com o trendwatching.com antes de fundar a OAK, como analista de tendências, com o objectivo de analisar, compreender, validar e processar os inputs que nos chegavam da nossa rede mundial de contactos. Posteriormente, à medida em que participava na criação dos briefs mensais e no report anual que o trendwatching.com disponibiliza por forma a identificar novas evoluções do comportamento do consumidor, surgiu a ideia e a vontade de criar uma organização independente que operasse, de Portugal para o mundo, na transformação daquela informação em novas oportunidades de negócio, ideias e marcas para as empresas, por forma a não só compreender evoluções do consumidor como também a idealizá-las e implementá-las. E é isso mesmo que fazemos: partindo do knowledge do trendwatching.com, pesquisamos e confrontamos as tendências mundiais registadas com o universo particular das empresas ( os seus consumidores, o seu mercado específico, a sua estrutura interna) para gerar valor sob a forma de novas ideias de negocio, planos de marketing ou criando e activando marcas de acordo com as mais relevantes tendências do consumidor.

 

CBP –  Pergunto-me frequentemente se há mercado, em Portugal, para modelos de negócio baseados em tendências e cool hunting… Como estão as coisas nesta área no nosso país?

PR – Na realidade, não sei; não operamos no ramo da pesquisa da informação ou do “cool hunting” – não é o nosso objectivo “inventar” ou “encontrar” tendências. A nossa motivação é sim compreendê-las, analisá-las e torná-las relevantes para os nossos clientes, permitindo a evolução das suas empresas. Somos uma empresa que “transforma” o conhecimento em soluções inovadoras. Consideramos o “research” ou a “pesquisa de campo” como ferramentas do nosso trabalho, mas o nosso objectivo final é sempre criar novas oportunidades de negocio e marcas/empresas que consigam ser mais competitivas de acordo com as novas evoluções dos mercados.

 

CBP – Sei que colabora com a Trendwatching nos relatórios de tendências que a empresa comercializa a nível mundial. Deste relacionamento, quais as tendências que se verificam actualmente consideraria “irreversíveis”, se alguma?

PR – Antes de mais, queria esclarecer que uma tendência nunca parte de uma “nova” necessidade dos consumidores; parte antes de um desbloqueamento, por parte de um agente externo ( tecnologia, globalização, comunicações, economia, politica, escassez etc.), de uma necessidade latente por parte de um grupo de consumidores – por isso a sua adopção é tão rápida e ascendente: porque não se estranha, entranha-se” Assim, existem naturalmente algumas necessidades de sempre que foram desbloqueadas por acontecimento recentes que continuarão a tornar-se mais relevantes nos próximos tempos, mas todas elas relacionadas com manifestações intemporais dos consumidores: o aumento das esferas sociais, e o advento do Social CRM ( Word of mouth acelerada pela net) o reviewing como nova forma de publicidade, entre outras. Mas acima de tudo continuaremos a assistir à mutação de uma sociedade sólida e estratificada para uma cada vez mais líquida e “linkada” onde por um lado o “consumidor” tenderá a ter cada vez mais papéis fora da sua esfera de consumo (produzindo, influenciando, vendendo) e onde as marcas tenderão a construir propostas de valor e mensagens que cada vez mais os integrem nas suas decisões. Mas com certeza que haverá espaço para marcas que não adoptem esta postura – por isso mesmo não defino o trabalho da OAK como a de uma empresa de “coolhunting” porque para cada empresa deverá ser pensado um posicionamento próprio, de acordo com mas não subjugado a estas tendências.

 

CBP – As grandes empresas que analisam tendências são todas estrangeiras, logo uma boa quota parte dos insights são relativos a uma realidade que não será propriamente a nossa, mas sim de países como EUA, Inglaterra… As tendências, reportadas por essas empresas, encontram paralelo com a realidade portuguesa?

PR – Portugal é uma pequena economia aberta ao exterior e, tal como nas flutuações dos mercados bolsistas, também as flutuações das evoluções dos comportamentos dos consumidores mundiais afectam o nosso pais – até porque competimos numa escala global. Mas, como refiro acima, há que enquadrar essas tendências que são, muitas delas, captadas mundialmente, na realidade das empresas portuguesas, de acordo com o seu mercado específico, consumidor específico, estrutura específica e concorrência específica. Ao filtrá-las de acordo com estas variáveis é que poderemos compreender qual a sua validade dentro das empresas, quais os caminhos estratégicos a percorrer para cada organização e como implementar isso mesmo.

 

CBP – Para terminar, como vê a actual situação em Portugal? No que é que isso poderá alterar os esforços de branding das marcas?

PR – Os esforços de branding estão já a ser modificados, aproveitando a crescente apetência dos consumidores para participar na definição e criação das marcas, seus produtos e tácticas de marketing e comunicação. Mas, mais uma vez, isto não é um “novo branding”: é o “velhinho” branding, de criar mensagens e formas de interagir com as quais as pessoas se relacionam por forma a que sejam elas a criar uma ideia acerca da marca. Caso este processo seja bem feito, os consumidores podem recompensar a empresa/marca ao consumi-la, ao partilhá-la, ao tornarem-se embaixadores da mesma. Naturalmente que o branding tem agora que ser mais “musculado” dado que o consumidor tem cada vez maior expectativa face ao que a marca lhe pode fazer sentir e deverá ser mais rápido, táctico e, especialmente numa altura de crise, deixar cair a “bullshit” da criação de mensagens unilaterais que se baseiam somente em comunicação. É obrigatório criar vantagens, funcionalidades, melhoria do produto e serviço, surpresa e inovação, ser aberto, transparente e altamente criativo.

 Muito obrigado.

    

  

Pedro Rocha é Director-Geral da OAK   >   www.oak-brands.com

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4 Respostas to “Entrevistas”

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Parabéns pela excelente entrevista. A última frase da última pergunta reflecte também o meu ponto de vista sobre o planeamento de marketing no dias de hoje: cada vez mais táctico e menos estratégico. um abraço.

Carlos,

Muito obrigado pelo seu comentário.
Realmente, concordo plenamente com o Pedro neste aspecto. Quase que já não há tempo para estratégia (embora nunca se deva descurá-la), com a velocidade das coisas hoje em dia. Ser astuto e oportunista (no bom sentido) em várias situações, pode fazer bem mais diferença…
Abraço
Francisco Teixeira

Carlos e Francisco,

Eu não só acho que temos de ser mais tácticos: eu acho que a marca deve ser planeada em termos conceptuais para que possa ser ágil e táctica! Faz sentido? ;)

Abraço e obrigado pelos comentários,

Pedro Rocha

Faz todo o sentido.
O espírito táctico deve existir desde o primeiro momento, e não com a marca como “produto” acabado.
Por isso é que muitas marcas, na hora da mudança, não são flexíveis ao ponto de poderem corrigir o seu trajecto e adaptar-se ao contexto do mercado.


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