A nova distribuição
Há um desencontro colossal entre a oferta e a procura no interior do país. Hoje andei pelo “interior profundo” e ouvi coisas que já vêm de longe: pessoas que deitam fora batatas, couves, deixam apodrecer fruta nas árvores, suplicam para que vão ao seu campo buscar algum feijão verde… Mas ninguém quer.
Porquê, perguntei? “Se tentamos vender a metade do preço de custo, dizem que é caro. Ninguém aqui precisa de batatas, vinho, azeite, legumes… toda a gente tem, logo não precisa de comprar.”
E então pensei que o interior profundo é um microcosmos auto-suficiente em alimentos, com GRANDES excedentes. O que eles não têm é serviços, um centro de saúde decente, um pólo cultural. Para escoar os produtos para fora do microcosmos, teriam de chamar transportadores, que se fazem pagar a preços, que os habitantes do microcosmos, não conseguem satisfazer. Escoar sai caro.
Noutras latitudes, nas grandes cidades, anda o Banco Alimentar a esfalfar-se para que as pessoas doem bens de primeira necessidade, para alimentar o mar de gente pobre que anda a afogar Portugal. E vão procurar a ajuda nos supermercados, onde outros pobres (por vezes mais sensíveis que os ricos) pagam bem para poderem doar alguma coisa à saída. Ou seja: paga-se para dar a quem tem fome.
Eu diria que é necessária uma nova distribuição em Portugal.
Diria que não se devia alimentar os necessitados engordando os lucros das grandes cadeias de distribuição. Na Beira Alta come-se por vezes melhor sardinha do que na Lota de Matosinhos. O segredo? Vem um sujeito lá de longe a Matosinhos comprá-la, fresca pela manhã. Chega bem a tempo do almoço lá na terrinha.
O mesmo se deve fazer quanto às carências do país. As instituições de Solidariedade Social deveriam de organizar viagens ao interior do país em camiões TIR (ex: partindo de Lisboa e Porto). Destino: Guarda, por ex. Por seu lado, voluntários do interior mobilizavam as hostes para que levassem alimentos para um ponto determinado (por ex. Guarda). A hospitalidade das pessoas faria o resto: em vez de deitarem fora batatas, de apodrecer a fruta ou secarem os feijões verdes ao sol, esses camiões, tenho a certeza, viriam cheios no regresso às grandes cidades.
As grandes cadeias de distribuição poderiam ficar bem na fotografia, cedendo os camiões. E quando eu visse um camião do Continente a passar por uma estrada de ninguém, parte de mim ficaria feliz.
Ola Francisco,
Em tempos propus uma solucao peer-to-peer distribution baseado na Net e SMS. Nao tive feedback e desisti. Se quiseres explico-te como podia funcionar.
Abc
armandosvieira
Junho 4, 2012
Armando,
Obrigado pelo comentário!
Contactá-lo-ei por mail.
Abraço
Francisco
innovation through consumer behavior insights
Junho 4, 2012