A nova distribuição

Posted on Junho 3, 2012. Filed under: Inspiração | Etiquetas:, , , , |


Há um desencontro colossal entre a oferta e a procura no interior do país. Hoje andei pelo “interior profundo” e ouvi coisas que já vêm de longe: pessoas que deitam fora batatas, couves, deixam apodrecer fruta nas árvores, suplicam para que vão ao seu campo buscar algum feijão verde… Mas ninguém quer.

Porquê, perguntei? “Se tentamos vender a metade do preço de custo, dizem que é caro. Ninguém aqui precisa de batatas, vinho, azeite, legumes… toda a gente tem, logo não precisa de comprar.”

E então pensei que o interior profundo é um microcosmos auto-suficiente em alimentos, com GRANDES excedentes. O que eles não têm é serviços, um centro de saúde decente, um pólo cultural. Para escoar os produtos para fora do microcosmos, teriam de chamar transportadores, que se fazem pagar a preços, que os habitantes do microcosmos, não conseguem satisfazer. Escoar sai caro.

Noutras latitudes, nas grandes cidades, anda o Banco Alimentar a esfalfar-se para que as pessoas doem bens de primeira necessidade, para alimentar o mar de gente pobre que anda a afogar Portugal. E vão procurar a ajuda nos supermercados, onde outros pobres (por vezes mais sensíveis que os ricos) pagam bem para poderem doar alguma coisa à saída. Ou seja: paga-se para dar a quem tem fome.

Eu diria que é necessária uma nova distribuição em Portugal.

Diria que não se devia alimentar os necessitados engordando os lucros das grandes cadeias de distribuição. Na Beira Alta come-se por vezes melhor sardinha do que na Lota de Matosinhos. O segredo? Vem um sujeito lá de longe a Matosinhos comprá-la, fresca pela manhã. Chega bem a tempo do almoço lá na terrinha.

O mesmo se deve fazer quanto às carências do país. As instituições de Solidariedade Social deveriam de organizar viagens ao interior do país em camiões TIR (ex: partindo de Lisboa e Porto). Destino: Guarda, por ex. Por seu lado, voluntários do interior mobilizavam as hostes para que levassem alimentos para um ponto determinado (por ex. Guarda). A hospitalidade das pessoas faria o resto: em vez de deitarem fora batatas, de apodrecer a fruta ou secarem os feijões verdes ao sol, esses camiões, tenho a certeza, viriam cheios no regresso às grandes cidades.

As grandes cadeias de distribuição poderiam ficar bem na fotografia, cedendo os camiões. E quando eu visse um camião do Continente a passar por uma estrada de ninguém, parte de mim ficaria feliz.

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2 Respostas to “A nova distribuição”

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Ola Francisco,
Em tempos propus uma solucao peer-to-peer distribution baseado na Net e SMS. Nao tive feedback e desisti. Se quiseres explico-te como podia funcionar.

Abc

Armando,

Obrigado pelo comentário!
Contactá-lo-ei por mail.

Abraço
Francisco


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