Manager’s Choice – Abril 2012

Boas!

O Grupo Consumer Behavior Portugal do Facebook obteve em Abril o recorde de participações, quer em termos de posts, quer em termos de likes e comentários. Um forte agradecimento a quem partilha, a quem gosta, a quem comenta. O espírito de grupo está forte, com cerca de 300 membros activos, num universo de mais de 1100 elementos. Mas de tudo o que se publica, algumas coisas merecem ficar para memória futura. E alguns membros percebem a qualidade exigida e deixam posts extraordinários (ou, na pior das hipóteses, bastante meritórios). as minhas escolhas estão a seguir.

Nunca é demais lembrar: as escolhas são subjectivas. No final, a mensagem é: todos os contributos são importantes. As publicações estão por ordem de colocação (dos posts mais antigos para os mais recentes).

Boa leitura!

Francisco Teixeira

Consumer Behavior Portugal – um grupo Facebook

1. Hélder Gonçalves –  “The neuroscience of creativity: why daydreaming matters

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2. Luís Manuel C. Sobral – “How Social Commerce Works: The Social Psychology of Social Shopping

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3. Fátima Nabais Antunes – “Influencers” (documentário)

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4. Luís Manuel C. Sobral – “7 surprising facts about mobile shoppers

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5. Susana Vaz  – “Girls going wild in red light district

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6. Francisco Ribeiro Rocha – “The learning society

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7. Paulo Morais – “Campanha da Ford faz furor na net

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8. Fátima Nabais Antunes –  “The impossible texting & driving test

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9. Stefano Zazzaro – “13 Website Social Optimization Oversights That Make You Look Foolish

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10. Natacha Camacho – “Wi-go: projecto da UBI vai representar Portugal na Austrália

Grupo Consumer Behavior Portugal no Facebook – Toda a verdade

O grupo Consumer Behavior Portugal é cada vez mais um caso de sucesso ao nível da divulgação do Marketing, Comportamento do Consumidor e Tendências num ambiente tão eclético como é o Facebook.

Estranhamente, os grupos do Facebook não têm tido a mesma atenção que as chamadas “páginas do Facebook”, talvez – como alguns afirmam – por não haver uma essência comercial que justifique mais atenção do que a que já existe. Permitam-me discordar: os grupos são elementos poderosos de socialização, divulgação e partilha, muitas vezes gerando mais buzz do que a maioria das páginas. Lamenta-se assim que haja métricas para páginas do Facebook, mas quase nenhuma digna desse nome para grupos do Facebook. Mas é possível, com empenho, descobrir algo mais sobre os grupos que gerimos.

Consumer Behavior Portugal – um grupo Facebook

Este grupo já ultrapassou os 1100 membros e não pára de aumentar. Até já tem um pequeno vídeo de 1 minuto que tem facilitado a sua divulgação. Mas o que é que distingue este grupo? Do que se fala? É um grupo dinâmico ou é estático? Quais os assuntos mais discutidos? Fiz um pequeno estudo de mercado ao grupo, para responder a algumas destas questões. Os dados recolhidos reportam a Abril 2012 (3 de Abril a 30 de Abril). O grupo neste período bateu todos os records de posts publicados, e também houve um forte aumento do número de pessoas que comentaram os posts, mantendo-os activos por mais tempo. Sem contar com 1 e 2 de Abril, foram publicados 267 posts, um recorde no grupo.

Bem, uma das primeiras coisas que há a dizer é que é um grupo muito diversificado nas temáticas que aborda (clique para ver a imagem em tamanho maior).

Desde logo é visível que o grupo serve de meio de divulgação aos membros que possuem sites ou blogues – o que é positivo, desde que a temática focada se mantenha no Marketing, Comportamento do Consumidor, Inovação e Tendências – os 4 eixos em que baseei o grupo. Logo a seguir, vem uma das grandes mais valias: a partilha de eventos, conferências, seminários e similares. É hoje possível os membros serem alertados pelo que se vai fazendo em Portugal, ao nível do Marketing, através do grupo. Durante o mês de Abril destacaram-se os eventos da APPM, TEDx Aveiro, Startup Lisboa, Psicosoma, o Mexe-te, lançamento de livros, Switch ou Marketing Attack, apenas para dar alguns exemplos.

A boa disposição também tem marcado presença, o que é sempre importante para fazer esquecer um pouco a crise. Mais duas achegas que considero importantes. O grupo é também um bom meio para a divulgação de questionários, ajudando os colegas a completarem as suas teses. E há também um aumento de posts relacionados com causas sociais e humanas, em que o comportamento do consumidor pode ser de tanta ou mais valia quando comparado com actividades comerciais. Um aspecto que não me satisfaz é o facto de os membros não usarem mais o grupo para colocarem dúvidas. Há um potencial enorme neste grupo, ao nível das pessoas e know-how envolvidos.

Membros masculinos mais participativos

Outro aspecto que não me satisfaz é o facto de os membros do sexo feminino apenas serem responsáveis por 30% dos posts publicados no grupo. Gostaria que as colegas publicassem mais… 63 pessoas diferentes publicaram no grupo Consumer Behavior Portugal do Facebook. Mesmo não tendo compilado o número de comments, acredito que hajam cerca de 300 pessoas activas no grupo, ainda que algumas apenas participem ocasionalmente. Não deixa de ser bom, 300 em 1100 pessoas possíveis.

Quais os membros mais activos?

Das 63 pessoas que publicaram, algumas foram mais activas que outras, como é normal. A figura seguinte revela as pessoas que mais têm dinamizado o grupo, e que merecem um enormíssimo MUITO OBRIGADO por manterem a chama do grupo acesa, and running. Muitos destes membros, são responsáveis por colocarem posts que, pela minha visão pessoal, são outstanding – por isso os costumo compilar numa resenha a que chamei Manager’s Choice. Nessa selecção, procuro dar reconhecimento aos membros que colocaram posts que dignificam o grupo, e o tornam num caso de sucesso. Não nos podemos esquecer que os posts no Facebook são efémeros: com o tempo, vamos deixando de aceder à informação partilhada, o que não é positivo. Desta forma, salvaguardo todos os meses alguns para memória (e utilização) futura. Muito em breve sairá o Manager’s Choice de Abril. E, acreditem, o material é do melhor!

Até breve

Francisco Teixeira

Manager do grupo Consumer Behavior Portugal – um grupo Facebook

Happy Marketing 101

The Value of Happiness foi o tema de capa da edição de Jan/Fev da Harvard Business Review, publicação de créditos reconhecidos a nível mundial e que ilumina muito daquilo que será o futuro na área da gestão. A temática acaba por ser bastante actual, desdobrando-se as empresas e os governos na exploração da felicidade enquanto medida de sucesso, progresso e desenvolvimento.

Mas há muito senso comum sobre a felicidade, nem sempre fundamentado à luz do rigor científico. Afinal, um consumidor feliz compra mais? A felicidade faz realmente aumentar as vendas? Qual o verdadeiro valor da felicidade para o marketeer?

A felicidade começa a ser observável por volta dos 2/3 meses de idade, mais ou menos na mesma altura em que a tristeza também desponta no horizonte do bebé. A partir daí o seu papel será sempre importante, quer na nossa vida pessoal, no trabalho ou enquanto consumidores. E é na nossa essência de consumidores que a felicidade se reveste de especial importância, quer para a gestão quer para o marketing. E há várias razões para que as empresas se esforcem por manter os seus clientes felizes. Iniciemos então uma viagem ao mundo maravilhoso da felicidade.

1) É uma evidência científica que pessoas felizes e bem dispostas avaliam melhor as informações e os objectos / produtos que as rodeiam. Até um mau comportamento pode ser relativizado se em presença de um consumidor feliz. Desta forma, uma pessoa feliz ou com boa disposição vê os produtos de uma montra como mais positivos e interessantes, o design parece mais atraente e o impulso para entrar na loja é supostamente maior. Segundo as pesquisas, este efeito é particularmente visível se a pessoa tiver uma ideia vaga sobre algo – se estiver feliz, a avaliação passará facilmente de “neutral” para “positiva”. O estado de humor de uma pessoa faz a diferença entre considerar um produto como mau ou como um produto que não é tão mau assim. Essa folga é também útil quando o atendimento é pouco satisfatório: o cliente feliz terá menos predisposição para fazer uma reclamação. Daí a importância de uma montra alegre ou dispositivos de marketing olfactivo junto da loja – podem melhorar o estado psicológico do consumidor e orientá-lo para avaliações mais positivas dentro do estabelecimento.

2) Pessoas felizes estão mais predispostas  à acção, normalmente por via de um incremento ao nível da motivação intrínseca. Isto significa que os vendedores podem ter mais hipóteses de convencer um potencial cliente a um test drive, ou os vendedores de uma perfumaria a conseguirem que uma mulher experimente um perfume utilizando o tester. Por vezes os clientes entram nas lojas com um sorriso estampado no rosto e os funcionários mantém-se fechados e taciturnos – perde-se todo o potencial para obter interacção dos clientes, e possíveis vendas. A experimentação de novos produtos é uma das práticas que mais pode sair beneficiada.

3) Pode parecer uma verdade óbvia, mas é um facto que a meteorologia exerce um grande poder sobre o grau de felicidade das pessoas. Melhor tempo, mais felicidade (por norma). Algumas investigações referem que em dias de sol os investidores ganham mais dinheiro na Bolsa de Valores – e são os afectos positivos que medeiam esse ganho. Se isto está comprovado, porque razão algumas empresas não aproveitam esta potencialidade? Coloquem-se esplanadas cá fora, aumente-se a entrada de luz natural nas lojas (não apenas por razões de poupança de energia!), crie-se um microclima quente e agradável nas empresas, especialmente se lá fora estiver a chover.

4) Quanto maior o grau de felicidade,  maior o grau de boa vontade (good will) – o que é particularmente importante para instituições sem fins lucrativos ou humanitárias. Neste contexto, a pessoa feliz tem mais probabilidades de doar, oferecer e ser altruísta do que se estiver triste ou infeliz.

5) Há também evidências de que quanto mais feliz é uma pessoa, melhor  desempenho terá em certos domínios ligados ao sucesso pessoal. Isto significa que as empresas que “seguem” pessoas felizes, podem ter mais dividendos no longo prazo do que se seguirem pessoas com poder económico. Numa Meta-análise de Lyubomirsky, King e Diener (2005), foi compilada uma lista dos domínios em que uma pessoa feliz se sai melhor que uma pessoa infeliz. Desses domínios, 3 são importantes para este artigo. Pessoas felizes tendencialmente: a) desenvolvem mais amizades, b) têm melhor performance no trabalho e c) obterão mais dinheiro no futuro.

6) Pessoas com melhor disposição são mais predispostas a pagar preços mais elevados pelos produtos / serviços que lhe são apresentados. No entanto, este comportamento não deve ser visto como um comportamento de risco inconsequente. Isto porque os estudos revelam que a predisposição para o risco existe, mas a pessoa feliz detecta mais facilmente que um risco é elevado, evitando a tempo uma má decisão. Por isso, é mais perigoso entrar num casino deprimido do que feliz – a pessoa feliz possui uma “loss aversion” mais apurada e evita riscos que se apresentam como altos.

7) Uma das características das pessoas felizes e bem dispostas, comprovadas em inúmeros contextos, é a da amplitude focal. As pessoas com uma disposição negativa ou deprimida vê menos alternativas em tudo o que faz, e o consumo não é excepção. Pelo contrário, uma pessoa feliz tende a:

            > prestar mais atenção ao que se passa à sua volta (ex: repararão mais facilmente nos pormenores de uma montra que o proprietário tão esforçadamente decorou)

            > detectar mais facilmente omissões. Assim, é fácil uma pessoa feliz elaborar uma lista de compras mais completa (ex: vai à dispensa e detecta mais facilmente os produtos em falta). No entanto, a mesma capacidade pode arruinar um contrato, se a empresa tiver elaborado o mesmo com várias omissões. Pessoas felizes darão conta.

            > recordar-se melhor do que lê, vê e ouve. Na presença de sentimentos positivos, a mente humana utiliza esses mesmos sentimentos para categorizar a informação na memória, por isso o material memorizado é recordado com mais facilidade. De notar, que este processo é assimétrico, ou seja, esta forma “melhorada” de organizar e recordar informação não se passa quando a pessoa está triste ou infeliz (afectos negativos)

            > apesar de gerir uma maior amplitude atencional e recursos, não há comprometimento no processamento da informação; i. e. prestar atenção a mais coisas, não implica processá-las de forma mais deficiente.

8) Abertura. Pessoas felizes são intrinsecamente mais motivadas a procurar variedade: quer de produtos, serviços ou experiências. Além da variedade, as pessoas felizes são mais abertas a novas propostas (inclusive surpresas) e mais flexíveis face às investidas de marketing – o que abre uma janela de oportunidade para o experience marketing ou marketing sensorial. Além disso, são mais exploratórias nas suas deambulações pelas lojas. Esta característica representa também maior facilidade de assimilação: incorporam mais facilmente novos elementos e categorias, aceitando-os mais rapidamente do que uma pessoa triste ou deprimida. Surge assim uma segunda janela de oportunidade, desta vez para os novos produtos. Acabam também por ter mais estratégias de coping face a problemas e decisões, utilizando melhor os recursos que tem disponíveis. Esta abertura face às estratégias, está intimamente ligada com uma maior capacidade de regatear e obter bons resultados com isso. Por fim, uma pessoa feliz cultiva um maior pensamento divergente – ser feliz é ser-se mais criativo.

9) Memória. A memória é um elemento que beneficia imenso se houver um acordo entre o momento em que aprendemos algo, e o momento em que recordamos o que aprendemos. A disposição tem aí um papel moderador muito importante. Ou seja, se eu visionar uma publicidade que diz que a marca X tem o melhor café do mercado, num dia positivo e inesquecível, essa recordação será mais vívida e de melhor qualidade se, quando o quiser recordar, estiver também num momento positivo ou feliz. Esta característica da memória tem o nome de “mood congruence”. Metaforicamente, podemos dizer que a memória funciona com nódulos, e o pensamento movimenta-se melhor entre nódulos de um mesmo estado mental. Assim, se num dia feliz eu ouvir a palavra “café”, o meu pensamento recordará mais facilmente uma situação em que tomei café com amigos numas férias fantásticas… do que uma situação em que tomei café antes de ir fazer um exame médico. Assim, quanto mais feliz estivermos, mais memórias positivas teremos. O que é interessante é que este efeito é cientificamente comprovado como mais forte quando se tratam de emoções positivas, do que quando são negativas!

O mercado da felicidade é muito mais lucrativo do que se pensa, e isso justifica o crescente investimento em projectos mais ligados ao hedonismo, à psicologia positiva, ao bem estar e à vida saudável, à solidariedade, ao crowdfounding, à animação diária de centros comerciais, ao entretenimento…

No livro “The How of Happiness” de 2007, Lyubomirsky procurou saber que estratégias estavam empiricamente comprovadas como sendo efectivas no aumento da felicidade. Não as vou enunciar todas, só algumas. Mas é desde já importante salientar que muitas delas resultam da espontaneidade e da natureza intrínseca do que é ser-se “humano”, sem fórmulas matemáticas confusas ou atitudes forçadas.

Cultivar o optimismo

Evitar preocupações

Praticar actos de bondade

Alimentar as relações sociais

Saborear os prazeres da vida (quer os grandes, quer os pequenos)

Meditação

Tratar do seu corpo

Expressar gratidão

Afinal, a felicidade sempre esteve tão perto.

:)

Manager’s Choice: Março de 2012

Boas!

O Grupo Consumer Behavior Portugal do Facebook esteve bastante activo no mês de Março e bateu todos os recordes de partilha e interactividade. Um grupo que está a amadurecer? Talvez. Um grupo com membros de enorme valia? Sem dúvida!!

Mais uma vez o meu agradecimento a todos aqueles que partilham posts inovadores e informativos nas áreas do Marketing, Comportamento do Consumidor, Inovação e Tendências. As minhas escolhas estão a seguir, e como lembrar nunca é demais, elas são subjectivas. No final, a mensagem é: todos os contributos são importantes. As publicações estão por ordem de colocação (dos posts mais antigos para os mais recentes).

Luis Cochofel - Incentivo à Leitura

Pedro BarbosaGuardian open journalism: Three Little Pigs advert – the Guardian

Paulo MoraisImportância da Missão para as Empresas 

Luis Manuel C. SobralSix Keys to Building New Markets by Unleashing Disruptive Innovation

Davide AlpestanaE assim começou a festa do Tupperware

João PicoSonic Branding – Faça a sua marca inesquecível …

Luis Paulo RodriguesA Sicasal ardeu. Mas renasceu das cinzas.

Marcos CastroA resposta mais simples é, normalmente, a correcta

Jorge Vaz SousaThe World of Social Media 2011

Francisco Ribeiro RochaThe 6 Pillars Of Social Commerce: Understanding The Psychology Of Engagement

Filipe Couto Soares EnesUm artigo que mostra outro ponto de vista sobre a crise e o caminho que seguimos…

Boa leitura!

Cumpts,

Francisco Teixeira

www.consumerbehaviorportugal.com

Consumer Behavior Portugal Facebook – Manager’s Choice de Fevereiro

Boas!

O Grupo Consumer Behavior Portugal do Facebook esteve bastante activo em Fevereiro e recomenda-se! O meu muito obrigado a todos os membros e sobretudo àqueles que participam e partilham conhecimento nas áreas do Comportamento do Consumidor, Marketing e Inovação.

O Grupo está bastante próximo dos 1000 membros, meta que será certamente atingida em Março deste ano.

As minhas escolhas, ou as publicações que na minha opinião correspondem àquilo que deveria surgir mais vezes no grupo, estão a seguir. Fevereiro foi recordista em publicações, o que significa que temos um grupo em que participar é algo familiar e natural. Reforço que as escolhas são subjectivas, e estão por ordem cronológica. Todas as publicações têm mérito.Continuemos assim! Aproveitem e inspirem-se!

Raquel Reis - “80% das decisões de consumo são tomadas pelas mulheres”

Francisco Ribeiro Rocha - “Does ‘Liking’ a Brand Drive User Loyalty?”

Luis Lopes - Why we’re a long way from cracking the neural code.”

Fátima Nabais Antunes - “Consumer behavior in 2011: back to the future

Luís Paulo Rodrigues - “Comunicar e inovar. A receita do sucesso empresarial

Paula Cruz - “10 tendências do consumo e do retalho para os próximo anos”

Pedro Guedes - “Adolescentes estão diferentes e os marketers vão ter que os acompanhar”

Fátima Nabais Antunes - “How and Why Do Consumers Choose & Buy Art?”

Rui Goulart - “How Target figured out a teen girl was pregnant before her father did”

Paulo Morais - “Modelo processo de decisão do consumidor e factores de influência”

Pedro Ferreira - “Marketing olfactivo em Portugal: A perspectiva dos profissionais de marketing”

Cumpts,

Francisco Teixeira

Consumer Behavior Portugal Facebook – Manager’s Choice

Boas!

Como os nossos leitores saberão, o site Consumer Behavior Portugal procura, sempre que possível, integrar conteúdos do grupo homónimo do Facebook. O Grupo do Facebook conta com mais de 930 membros, e é dedicado à partilha de eventos, informação, white papers, publicidades, artigos, etc… que tenham a ver com Marketing, Inovação e Comportamento do Consumidor. A actividade deste grupo tem sido intensa, e os membros aproveitam para receber informação e prestar ajuda, mutuamente. A todos os que contribuem e contribuíram, o meu muito obrigado. Todos ficam a ganhar com a participação.

Todavia, todos sabemos que a informação publicada no Facebook rapidamente sai de cena, e o que não se vê esquece-se. Nesse sentido, tomei a liberdade de seleccionar um conjunto de contributos (do mês de Janeiro) de diferentes membros que, de uma forma ou de outra, simbolizam o que eu espero que seja partilhado no grupo. E com esta acção permitir que informação partilhada não caia no esquecimento, e haja um lugar onde os membros possam recorrer para reler “aquele” artigo que achou interessante mas já não sabe por onde anda.

Como qualquer escolha, também esta tem a sua carga de subjectividade – as minhas desculpas a quem não figura nesta lista, mas quem sabe na próxima não nos veremos por aqui? A listagem está por ordem cronológica descendente (mais recente para as mais antigas). Logo, não é uma questão de a contribuição A ser melhor que a B – todas são importantes.

André Costa – 31/Jan – “Shopperception: tracking real world conversions like web analytics”

Rui Goulart – 31/Jan – “Best Experience Brands: A global study from Jack Morton Worldwide”

Luís Paulo Rodrigues – 26/ Jan – “Os 4 P’s do Marketing-mix são visão do passado”

Teresa Lopes – 24/Jan – “Rewarding: investir no sucesso das acções | One to One Blog”

Raquel Reis – 20/Jan – “Market Research: the one survey question”

Francisco Teixeira – 20/Jan – “Fidelidade à marca: 5 perguntas para evitar perdê-la”

António Nunes da Silva- 18/Jan – “Marketing sensorial para despertar los sentidos, 5 claves para entenderlo”

Luís Bastos – 17/Jan – “People behave socially and ‘well’ even without rules: study”

Fernando Rodrigues – 16/Jan – “Como criar génios e pessoas felizes… Afinal parece que é com NeuroEducação!”

Paulo Morais – 16/Jan – “Impacto do marketing digital no sector da saúde”

Fátima Nabais Antunes – 15/Jan – “Where good ideas come from”

João Pico – 12/Jan - “The digital Shopper” (Ogilvy)

Luís Bastos – 9/Jan - “O artigo do futuro”

Nuno Serafim Pinto – 9/Jan – “As melhores campanhas de Natal em 2011”

Fátima Nabais Antunes – 8/Jan - “Consumer Electronics Show” (CES)

André Oliviera Ford Famalicão – 5/Jan - “Impacto da Internet no Marketing Operacional”

Rui Goulart – 3/ Jan – “Retalho vs Vendas Online”

Pedro Miguel Barbosa – 2/Jan – “Tech Companies go for emotional ads”

Bem hajam e bons posts!

Francisco Teixeira

O Professor Obediente

Decorria o ano de 1961, quando nos Estados Unidos um conjunto de experiências na área da psicologia viriam a revelar os meandros das reacções humanas ao conceito de autoridade. O responsável por essas experiências foi um psicólogo social, que mais tarde seriam explanadas no livro “Obedience to authority: an experimental view”. Falamos do americano Stanley Milgram (1933-1984).

Os experimentos integravam 3 elementos: uma autoridade que coordenava a experiência (dava instruções), uma pessoa que assumia o papel de “professor” e outra que fazia o papel de “aluno”. Por ordem do coordenador, o “professor” ensinava pares de palavras ao “aluno” e mais tarde este ia para outra sala para que fossem testados os conhecimentos adquiridos. O professor lia uma palavra e dava ao aluno 4 opções, em que uma delas era o par correspondente à palavra que o professor leu. O aluno tinha de escolher a resposta certa através de botões, e não havia contacto ocular entre professor e aluno, pois apesar de estarem em salas adjacentes, estas eram separadas por uma parede. Se o aluno acertasse, outra palavra era dita pelo professor. Se errasse, o professor deveria aplicar um choque eléctrico ao aluno. A cada resposta errada correspondia um incremento de 15 volts nos choques, sendo a carga máxima passível de ser aplicada de… 450 volts (!)

Contrariamente às expectativas, a verdade é que mais de 60% dos “professores” infligiram a carga máxima aos seus alunos, pese o facto de se ouvirem gritos, murros na parede e lamentos que provocavam forte stress emocional nos professores. Todavia, quando questionavam o coordenador da experiência, este dava a entender que deveriam continuar a aplicar os choques – e os professores continuavam. A obediência a uma autoridade convencionada poderia atingir níveis difíceis de aceitar, e com consequências graves para os alunos, pois eram permitidos excessos absurdos. Há, no entanto, um aspecto a revelar: os “alunos” eram actores que integravam a experiência e os choques não eram reais. Dito isto, as cobaias da experiência eram os sujeitos que encarnavam o papel de professores.

Apesar de passados mais de 50 anos desde os trabalhos de Milgram, a verdade é que eles são, estranhamente, mais actuais do que nunca.

Esta dinâmica autoridade / obediência ainda hoje é usada com frequência em Marketing. Quando um médico especialista fala num anúncio acerca das propriedades de um queimador de calorias, as hipóteses de alguém o comprar são maiores – o consumidor acredita, em menor ou maior grau, que aquela pessoa é uma autoridade no assunto, logo deve saber o que diz. Quanto mais não seja, o “benefício da dúvida” ainda é um poderoso meio para vender seja o que for.

E eis que estamos em 2012, ano em que se agudiza uma crise económica corrosiva, especialmente para a Europa e os países da União Europeia. Numa altura em que as percepções e expectativas económicas são mais poderosas que os indicadores reais, a imagem dos países europeus anda ao sabor das boas ou más vibrações que vêm do outro lado do Atlântico. Durante anos reputadas como autoridades a nível das questões económicas, as agências de rating possuem actualmente uma voz com repercussões poderosas para o comportamento dos mercados. As suas avaliações fazem a diferença para bancos, países ou mesmo estruturas gigantescas como a União Europeia. Tal como um cidadão que procura um empréstimo, também os países europeus têm de demonstrar saúde financeira para o fazer nos mercados – todavia, se o seu rating for baixo, este objectivo fica mais difícil de ser cumprido. E se todos continuarem a idolatrar cegamente as agências de rating e o seu “expertise”, maior é o poder destas.

Teme-se por isso que a Europa em conjunto, e os seus países em particular, sejam professores obedientes a uma autoridade que já há muito ultrapassou o seu plafond de credibilidade. É isso que Milgram nos ensinou – a dificuldade dilacerante que é libertarmo-nos das autoridades que alimentamos durante anos. E toda a vez que infligimos um choque ao povo (chamemos-lhe medidas de austeridade), quer seja ao cidadão comum ou ao banco da esquina em que depositamos as poupanças, fica-se com um sabor amargo na boca pois esses países sabem o mal que fazem, mas o dever de obediência fala mais alto. E por mais que os alunos estudem e melhorem as suas notas, a possibilidade de levarem com a austeridade máxima mantém-se real. A obediência cega e sucessiva às agências de rating tem esta desvantagem: os países europeus aplicam choques cada vez maiores ao seu povo, mesmo que os gemidos de agonia sejam ouvidos nos parlamentos ou nos corredores de Bruxelas. Mas, tal como nas experiências, o povo está na sala ao lado, longe do olhar de quem carrega o maldito botão.

Das explicações de Milgram, devem reter-se 3 aspectos importantes para a Europa dos dias de hoje:

- Os países europeus supostamente entendem os choques como um cumprir de ordens das agências (o expert reconhecido na área), não suas – o que pode desculpabilizar os excessos, tal como Pilatos lavou as mãos num famoso julgamento popular.

- Apesar desta transferência de responsabilidades, a Europa sofre bastante neste momento, não só porque está a fazer algo contrário aos seus princípios, mas também por ser incapaz de questionar a autoridade das agências como deve ser.

- Por fim, as várias experiências de Milgram revelaram que quanto menor for a habilidade ou capacidade para tomar decisões por parte do professor (Europa), mais este será obediente à autoridade (agências). Resumindo, estamos em maus lençóis, pois a Europa tem demonstrado uma capacidade de decisão frágil (ou inexistente) em praticamente todos os dossiers internacionais.

Torna-se imperioso que a Europa dê um sinal firme às agências de rating, se for comprovado que estas exercem um poder superior àquilo que a sua competência e conhecimentos no terreno permitem. O sinal de que consegue questionar a autoridade destas e servir-se de meios complementares para ser correctamente avaliada na matéria. Talvez isso passe por uma diminuição da importância dada às agências ou pela criação de uma agência de notação financeira nova.

Uma coisa é certa: fora do laboratório, os choques são reais. E dolorosos.

Francisco Teixeira

Primeiro publicado em:

www.consumergoodsclub.com

Fidelidade à marca: 5 perguntas para evitar perdê-la

Todos sabemos que manter clientes sai muito mais barato do que lutar por novos. Então vamos concentrar-nos nos clientes que vêm repetidamente às nossas lojas para comprar as nossas marcas: os nossos clientes fiéis.
O que é um cliente fiel, afinal? É alguém que decide recomprar uma marca de forma contínua ao longo do tempo. A fidelidade à marca é um assunto delicado no contexto de marketing: é uma vantagem competitiva que permite potenciar o ROI, fixar preços mais elevados, obter melhor brand equity. No mínimo, significa mais dinheiro no longo prazo, sem aumento considerável dos custos de marketing.

Embora muitos gestores considerem a fidelidade à marca como um conceito comportamental (a acção de comprar uma marca com alguma regularidade), não é o caso: a fidelidade à marca existe como um compromisso entre os aspectos emocionais / atitudinais e as acções comportamentais. Imagine-se uma senhora de idade, residente n uma área isolada, que vai à mercearia para comprar café. Ela compra sempre a mesma marca, mês após mês. Esta senhora é uma cliente fiel daquela marca de café? À primeira vista parece, mas pode não ser. Neste caso, a compra repetida poderia ser o resultado de ter apenas uma marca de café no supermercado, ou existir uma marca de café de boa qualidade por oposição a outras de fraca qualidade. Pode tratar-se de uma lealdade forçada, porque não existem alternativas “reais”. Se essa senhora vivesse numa grande cidade, com muitos lugares para fazer compras, a marca que ela escolheria poderia bem ser outra, definida por uma atitude ou vínculo emocional positivo em relação a essa marca.

Tendo em mente esta volatilidade na noção de fidelização, apresento cinco questões que podem fazer a diferença na manutenção de clientes leais à sua marca:

Compras repetidas por parte dos seus clientes leais são o resultado de características do produto (apenas), ou a lealdade é baseada na evidência de que há uma espécie de apego emocional e atitudinal para com a sua marca ou empresa?
Se as características do produto são o principal contribuinte para a fidelidade à sua marca, deve estar ciente de que os seus concorrentes podem atingir as mesmas características. Em igualdade de circunstâncias, a marca que fornece a ligação emocional mais forte aos seus clientes vai ganhar a batalha.
É fácil para os seus clientes mudar para marcas concorrentes?
Esta é uma pergunta complicada, e uma boa medida da lealdade do seu cliente. Se é fácil mudar para os concorrentes, mas os seus clientes não o fazem, isso significa que a sua marca tem realmente clientes fiéis. Em vez disso, se é difícil mudar para a concorrência (alternativas não são percebidas como relevantes, os concorrentes não conseguem boas linhas de distribuição, concorrência pratica preços elevados, falta de informação sobre os concorrentes, a complexidade do serviço, as características do produto não satisfazem as reais necessidades dos consumidores…), talvez a sua marca não tenha clientes efectivamente leais – eles apenas escolhem a sua marca porque as alternativas não são as melhores.
É a lealdade do seu mercado baseada principalmente em preços competitivos?
Mesmo sabendo que estamos em período de crise, as compras repetidas não devem ser baseadas somente num preço muito vantajoso. Às vezes, os clientes são leais a outras marcas que não a sua – e recorrem à sua marca como uma estratégia de defesa durante a crise. Todavia, quando a vida de muitos clientes melhora, eles dão vida às preferências anteriores. O que é fundamental, é aproveitar a sorte preciosa que tem ao poder oferecer preços competitivos, e jogar com esse tempo para criar vínculos emocionais com os clientes, dar-lhes boas experiências, uma imagem de qualidade e um sentido de cuidado. Quando a bonança voltar, vai ser mais difícil aos seus clientes passarem para a concorrência.
A sua marca é uma boa representante do sector de actividade ou categoria de produtos em que está inserida?
As pessoas confiam mais nas categorias do que nas marcas para satisfazer as necessidades, especialmente em momentos de crise. Se a sua marca é uma boa representante de uma categoria (ex: como a Coca-Cola é nas Colas ou a Gillette nos cuidados de barbear), então a sua marca está bem posicionada para ganhar a lealdade do cliente. Quanto mais ela se distanciar das características “representativas” de uma categoria, mais difícil será obter consumidores fiéis.
Qual é o tipo de lealdade do seu cliente?
Existem alguns consumidores que não gostam de perder muito tempo a escolher uma marca, e não costumam fazer uma “prospecção” para tentar experimentar outras marcas existentes no mercado. É uma espécie de fidelidade baseada na inércia ou auto-indulgência, e se eles fazem isso com a sua marca, podem igualmente fazê-lo com as marcas concorrentes. Mas há um outro tipo de lealdade mais gratificante: inclui os evangelistas da Apple, as tribos radicais da Red Bull ou entusiastas do Mini. Eles são leais e activos, promovem os eventos que gravitam em torno das “suas” marcas, defendem-nas contra opiniões negativas, vivem num mundo onde a vida pessoal e as marcas têm uma fronteira demasiado frágil.
Convém perceber quais são os seus clientes, na medida em que os segundos são muito mais vantajosos que os primeiros.

Primeiro publicado em:

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Tabaco: a meio caminho de lado nenhum

Vou já esclarecer a minha situação: eu não fumo nem nunca fumei. O que não implica que seja contra quem fume – desde que esse acto não seja contra outrem (ex: fumo passivo). Posto isto, há que reconhecer que os governos ocidentais têm dado grande atenção à questão do tabaco e aos seus malefícios. A Organização Mundial de Saúde prevê que em 2020/30 o número de mortes directamente causadas por tabaco seja de 10 milhões por ano. O tabaco pode ser responsável por 1/3 dos casos de cancro existentes e em 90% dos casos está na base de cancros do pulmão. Outros cancros também lhe estão associados, mas em menor grau: laringe, faringe, colo do útero, estômago… Há também acção nefasta sobre vias respiratórias ou coração, por exemplo. Em média, um fumador crónico tem menos 10 anos de esperança de vida, comparado com  fumadores não regulares. Estes dados não são probabilidades – são certezas.

As medidas restritivas ao consumo do tabaco são napoleónicas: há publicidade que apresenta doentes com laringes abertas, o preço é aumentado constantemente, os impostos sobre os cigarros são consideráveis. Há proibições de fumar em locais públicos, fechados… Os Shopping Centers criaram espaços (cápsulas) para fumadores, algo que visto de fora se assemelha a prisões a que os erradicados sociais recorrem para matar o vício, como se fossem seres anormais que os normais vão visitar ao zoo.

A embalagem do próprio produto está carimbada com imensa publicidade aos malefícios do tabaco – “Fumar mata”. Em alguns casos, quase que a marca é omitida, como uma heresia que é necessário excomungar. Todavia, a própria marca já está em risco, se tomarmos em conta a nova proposta de lei australiana, que proíbe a apresentação de logótipos nas embalagens. As marcas serão escritas com uma fonte pré-determinada, o que é a antítese do marketing de diferenciação. Até os medicamentos, que não podem ter publicidade, são melhor tratados.

Independentemente de estas medidas terem um princípio válido, elas representam uma luta contra as tabaqueiras, tão desenfreada quanto ineficaz. Não se iludam: a indústria do tabaco continua a vencer a guerra.

A FDA nos Estados Unidos, por muito menos, bloqueia a saída para o mercado de uma incontável quantidade de novos produtos. Na Europa, também as normas de segurança são apertadas, dos detergentes da roupa aos brinquedos das crianças. Se assim é, porque é que o tabaco, sobre o qual pende enorme evidência científica sobre os seus malefícios, continua a ser comercializado? Porque é que outros produtos são liminarmente retirados do mercado e o tabaco, com escolta de publicidade de choque e roupagem a alertar para os seus malefícios, continua no mercado? O que mata é o tabaco, e não é publicitando os seus malefícios ou destruindo o marketing nas embalagens que ele deixa de matar. Ninguém liberta um criminoso e lhe coloca um rótulo “Atenção que posso matar” – como se isso reduzisse a sua perigosidade.

Há aqui uma imensa hipocrisia dos estados governantes, na medida em que passam uma mensagem de dureza face à indústria tabaqueira – mas ao mesmo tempo não fazem o que lhes compete: acabar de vez com a comercialização. É um meio termo que não conforta ninguém, e nem sempre no meio é que está a virtude. Talvez o dinheiro dos impostos faça diferença para as contas dos estados. Talvez os lobbies do tabaco sejam muito fortes. Talvez os governos sejam demasiado cobardes.

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Em breve, tudo estará melhor

O Sr. António é uma pessoa muito simpática. Vejo-o de 15 em 15 dias. Tudo começou há cerca de 2 anos: eu, jovem, tinha acabado de casar e na aura dessa felicidade ainda fresca, surge-me um homem dos seus 47 anos, bem vestido, e muito brincalhão. Conversa fácil, o difícil era não ficarmos cativados com a sua boa disposição. Não interessava se o dia correra mal no trabalho, quando ele chegava, salvava o dia com o seu sorriso de horizontes largos e histórias insólitas do dia-a-dia. Discorria sobre política, falava de circo, dos malabarismos da economia e da inflação que minava os consumidores, tirando-lhes o tapete debaixo dos pés. Mas lá voltava à chalaça ou a um elogio maroto a um vestido mais elegante que eu trazia. Conhecia-o há pouco tempo, mas era o arquétipo daquelas pessoas que parecíamos conhecer desde sempre.

Um dia perguntou-me se estava a pensar ter filhos. Respondi:

- Não sei, Sr. António. As coisas estão difíceis, vamos ver se a crise alivia. Ter um filho é complicado nestes tempos…

- Disparate! A crise não é mais forte que o amor pela maternidade, menina! Agora isto está mal, mas é um ciclo: em breve tudo estará melhor, e não se arrependerá ao ver o seu filho a correr pela praia atrás de uma bola.

Mas toda a vez que chegava a casa e jantava com o meu marido, o telejornal (instrumento de tortura dos tempos modernos) entrava-nos pelos olhos dentro com notícias de insegurança e temor: a crise, as empresas a fechar, a angústia dos agricultores… e a decisão de ter um filho escondia-se atrás da minha coragem, à espera de tempos melhores.

Mas o tempo ia passando. Sentia o Sr. António mais azedo nos últimos meses. Já não vinha impecavelmente vestido, esse artifício que prolonga o orgulho e a vaidade, brotando felicidade interior. Nem o penteado imaculado se mantinha – estava “apenas” penteado. Mas rapidamente uma anedota cortava pensamentos funestos ou a sensação de que a camisa não estava devidamente passada a ferro.

Mas um dia falou acima da média e fiquei a saber que as coisas com a mulher não andavam bem. Ao pegar no jornal que trazia, reparei nas unhas algo sujas e o casaco surrado nas mangas. Para quem lhe conheceu uma camisa nova todas as quinzenas, a verdade é que agora trazia quase sempre as mesmas.

Assim se passou algum tempo quando me contou, a chorar, que por circunstâncias da vida a mulher e ele se tinham separado. Havia coisas que urgia esquecer, e a graduação de uma bebida branca ajudava. Foi o que fiz depois do trabalho.

De há dois meses para cá, algo se desmoronou na vida do Sr. António. Quando me vinha ver, o seu corpo estava presente mas a sua mente não. Sentia-o apático e dizia-me: “é a vida!” Vezes houve em que ia jurar que estava naquela linha entre a lucidez e o estado de quem bebera demais. A roupa passou a ser mais escura, a barba crescera. Tentei oferecer ajuda, mas uma anedota sem piada repelia-me. Os meus colegas contavam-me que lhe iam retirar a casa, pois já não a pagava ao banco. Duvidei, mas a verdade é que posteriormente, numa visita, reparei que não deveria ter tomado banho nos últimos dias. Perguntei se estava tudo bem, e disse-me que sim. Mas a resposta seca soou-me curta e triste demais.

Mas a vida continua – estou à espera de um filho! Entretanto, soube hoje que vou ser promovida. Irei para os serviços internos, pelo que já não atenderei mais ao público.

Trabalho num centro de emprego, e nos últimos anos, todos os dias, recebi pessoas como o Sr. António, desempregadas, que se tinham de apresentar periodicamente. Há mais de 23 milhões de desempregados na Europa.

 Nunca mais o voltei a ver.

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